Deixa-me debruar as asas, entre as pedras de sal, no pó do café
Quero perder penas, pois que o vento as arrecade
Penas arrancadas, no esforço do desapego
Ao tempo o que é do tempo, ainda que o presente me pareça depenado
Sou de vidro, diáfano, quase polido
Debruço-me sobre ti, apoiado numa aresta quebrada
Observo-te através do rubi de um cálice meio cheio, mas, claro, meio vazio
É fácil recolher-me agora, entre os cotovelos e os joelhos, saciado, após o repasto
Entorpecido pela vertigem do vinho que me tomou o sangue
Antes que a pena morda a cor deste dia
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