terça-feira, 9 de outubro de 2018

Poema negro

Recebi por interposto mediador o último calor do teu corpo
Amparei, tal mensageiro, na sua rigidez derradeira 
Ainda a tempo de os meus dedos colherem a última agitação dos teus átomos 
De embalarem os meus numa dança que hão-de perpetuar 
De tanto te desejar sei que haverias de passar por aqui 
Avanças, para lá de mim, pela mão amiga da poesia negra.

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